Por que ser contra a Revolução?

Se a Revolução é a desordem, a Contra-Revolução é a restauração da ordem. E por ordem entendemos, a paz de Cristo no Reino de Cristo. Ou seja, a Civilização Cristã, austera e hierárquica, fundamentalmente sacral, anti-igualitária e anti-liberal.
Dr. Plínio Corrêa de Oliveira

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Terror x Israel


Um trecho de Kant...



Eu deveria achar que os exemplos da Matemática e da Ciência da Natureza, as quais se tornaram o que agora são por uma revolução levada a efeito de uma só vez, seriam suficientemente notáveis para fazer meditar sobre os elementos essenciais da transformação na maneira de pensar que lhes foi tão vantajosa e, na medida em que o permite sua analogia com a Metafísica como conhecimentos da razão, para imitá-las nisso ao menos como tentativa. Até agora se supôs que todo o nosso conhecimento tinha que se regular pelos objetos; porém todas as tentativas de mediante conceitos estabelecer algo a priori sobre os mesmos, através do que ampliaria o nosso conhecimento, fracassaram sob esta pressuposição. Por isso tente-se ver uma vez se não progredimos melhor nas tarefas da Metafísica admitindo que os objetos têm de se regular pelo nosso conhecimento, o que concorda melhor com a requerida possibilidade de um conhecimento a priori dos objetos que deve estabelecer algo sobre os mesmos antes de nos serem dados. O mesmo aconteceu com os primeiros pensamentos de Copérnico que, depois das coisas não quererem andar muito bem com a explicação dos movimentos celestes admitindo-se que todo o exército dos astros girava em torno do espectador, tentou ver se não seria melhor que o espectador se movesse em torno dos astros, deixando estes em paz” (KANT, I. Crítica da razão pura.)

            Nesta passagem, Kant resume sua revolução copernicana. Copérnico revolucionou a astronomia ao perceber que os dados observados poderiam mais facilmente ser explicados se se admitisse que o Sol, e não a Terra, ocupava o centro imóvel enquanto os demais astros, incluindo a Terra, giravam ao seu redor. Kant lamenta que a metafísica, apesar de toda sua antiguidade, não tenha tido o mesmo progresso que a matemática e as ciências da natureza. A solução para o avanço na metafísica está em inverter o centro de atenção. Em vez de pensarmos nos objetos como os geradores do conhecimento, devemos, segundo Kant, pensar que nossa própria mente cria as condições para que conheçamos os objetos. A mente não apreende, um tanto passivamente, a essência dos objetos. Ela se impõe ativamente sobre eles, criando uma “realidade” subjetiva.
            Embora a revolução kantiana possa indubitavelmente ser apodada de “copernicana”, ela é em certo sentido o seu inverso. Copérnico e o heliocentrismo destronaram o homem do centro do universo. Kant, por seu lado, faz com que o homem não apenas seja o centro da realidade mas seja também o criador de sua própria realidade. Após Kant, discutir qual é o centro do sistema solar se torna um tanto presunçoso já que “centro” existe somente na mente humana.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Lei que prioriza pagamento de benefícios sociais a mulheres é sancionada

Eu também acho que as mulheres administram melhor o dinheiro da casa que os maridos. Mas, em nome da igualdade, as feministas do Brasil deveriam opor-se a essa lei e a outras semelhantes que discriminam a mulher. A famosa Lei Maria da Penha é provavelmente a lei mais machista já promulgada no Brasil.

Original: O Lavrense

Lei que prioriza pagamento de benefícios sociais a mulheres é sancionada

A lei que determina o pagamento de benefícios sociais do governo prioritariamente às mulheres chefes de famílias foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff e divulgada no Diário Oficial da União desta terça-feira (22). A justificativa do projeto, aprovado pelo Senado, foi entender que elas são mais eficazes e responsáveis na gestão financeira familiar. O programa Bolsa Família já era pago às mulheres com prioridade.

A nova norma acrescenta os programas de Erradicação do Trabalho Infantil e de Fomento às Atividades Produtivas Rurais, além do Sistema Único de Assistência Social. O texto passa a vigorar em 90 dias.

O Papa disse-me que a “ideologia de gênero é demoníaca”

Por John-Henry Westen – Life Site News | Tradução: Fratres in Unum.com

O Papa Francisco condenou duramente a “ideologia de gênero” em uma conversa privada com o bispo austríaco Andreas Laun, no início deste ano, relatou o próprio bispo em um artigo.
Ao fazê-lo, o Papa segue as pegadas de seu predecessor, o Papa Bento XVI. Ao fim de seu pontificado, o papa emérito falou duas vezes sobre a ideologia de gênero como “uma tendência negativa para a humanidade” e uma “profunda falsidade”, sobre “a qual é um dever dos pastores da Igreja” colocar os fiéis “em alerta”.
Dom Laun, bispo auxiliar de Salzburg, escreveu sobre as palavras do Papa Francisco em março, em um artigo para o portal de notícias católica alemão Kath.net. Dom Laun declarou a LifeSiteNews que se encontrou com o Papa brevemente, em 30 de janeiro, como parte da visita ad limina dos bispos austríacos, um encontro que os bispos devem ter a cada cinco anos. Laun acrescentou que ele foi o último dos bispos a falar com o Santo Padre.
“Ao responder minha pergunta, Papa Francisco disse, “a ideologia de gênero é demoníaca!”. Laun escreveu em seu artigo, acrescentando que o Papa não exagerava em seu comentário. “De fato, a ideologia de gênero é a destruição das pessoas, e é por isso que o Papa tinha razão em chamá-la de demoníaca”, disse.
Escrevendo sobre a ideologia de gênero, Dom Laun explicou que a “tese central desse doentio raciocínio é o resultado final de um feminismo radical que o lobby homossexual fez seu”.
“Ele sustenta que não há apenas homem e mulher, mas também outros ‘gêneros’. E mais: toda pessoa pode escolher o seu gênero”, acrescentou.
“Hoje”, afirmou, “a ideologia de gênero é promovida por governos e pessoas importantes, e um montante substancial de dinheiro é lançado para difundi-la, mesmo em materiais de ensino de jardins de infância e escolas”.
Para mais informações a respeito, Dom Laun indicou a leitura do último livro da famosa socióloga alemã Gabriele Kuby, Die globale sexuelle Revolution: Zerstörung der Freiheit im Namen der Freiheit (“A revolução sexual global: destruição da liberdade em nome da liberdade”, tradução livre).
Kuby, uma conhecida de longa data do Papa Bento XVI, presenteou o agora Papa emérito com uma cópia do livro em novembro de 2012. “Graças a Deus que a senhora escreve e fala (sobre esses assuntos)”, disse o Papa Bento a ela.
Para Kuby, não é chocante chamar a ideologia de gênero de demoníaca.
“A ideologia de gênero é a mais profunda rebelião contra Deus possível”, declarou Kuby a LifeSiteNews. “A pessoa não aceita que é criada como homem ou mulher, não, e diz, ‘Eu decido! É minha liberdade!’ — contra a experiência, a natureza, a razão, a ciência!”
“É a última das perversões do individualismo”, explicou. “Ela rouba o homem do último fragmento de sua identidade, isto é, o ser homem e mulher, depois de ter perdido a fé, a família e a nação”.
“É realmente diabólico”, concluiu, “que uma ideologia, que toda pessoa pode discernir como uma mentira, possa capturar o senso comum das pessoas e se tornar uma ideologia dominante em nossos tempos”.
Em seu discurso de 21 de dezembro de 2012 à Cúria Romana, o Papa Bento XVI lançou uma ampla advertência quanto ao uso do “termo ‘gênero’ como nova filosofia da sexualidade”.
“De acordo com tal filosofia, o sexo já não é um dado originário da natureza que o homem deve aceitar e preencher pessoalmente de significado, mas uma função social que cada qual decide autonomamente, enquanto até agora era a sociedade quem a decidia”, afirmou. “Salta aos olhos a profunda falsidade desta teoria e da revolução antropológica que lhe está subjacente”.
Continuava o Papa:
O homem contesta o facto de possuir uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Nega a sua própria natureza, decidindo que esta não lhe é dada como um facto pré-constituído, mas é ele próprio quem a cria. De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Esta dualidade é essencial para o ser humano, como Deus o fez. É precisamente esta dualidade como ponto de partida que é contestada. Deixou de ser válido aquilo que se lê na narração da criação: «Ele os criou homem e mulher» (Gn 1, 27). Isto deixou de ser válido, para valer que não foi Ele que os criou homem e mulher; mas teria sido a sociedade a determiná-lo até agora, ao passo que agora somos nós mesmos a decidir sobre isto. Homem e mulher como realidade da criação, como natureza da pessoa humana, já não existem. O homem contesta a sua própria natureza.
Bento XVI notou o dano dessa filosofia à dignidade humana, à família e às crianças. “Onde a liberdade do fazer se torna liberdade de fazer-se por si mesmo, chega-se necessariamente a negar o próprio Criador; e, consequentemente, o próprio homem como criatura de Deus, como imagem de Deus, é degradado na essência do seu ser”.
O Papa Bento abordou a ideologia de gênero novamente, um mês mais tarde, em 19 de janeiro de 2013. “Os Pastores da Igreja — a qual é «coluna e sustentáculo da verdade» (1Tm 3,15) — disse Bento — têm o dever de alertar contra estas derivas tanto os fiéis católicos como qualquer pessoa de boa vontade e de razão reta”.
“Trata-se de uma deriva negativa para o homem, não obstante se disfarce de bons sentimentos, no sinal de um progresso hipotético, ou de supostos direitos ou ainda de um presumível humanismo”, afirmou. “Por isso, a Igreja reitera o seu grande sim à dignidade e à beleza do matrimônio, como expressão de aliança fiel e fecunda entre um homem e uma mulher, e o seu não a filosofias como aquela do gênero se motiva, pelo fato de que a reciprocidade entre masculino e feminino expressa a beleza da natureza desejada pelo Criador”.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Rezem por um cruzado da Tradição

Peço a todos o sacrifício de alguns minutos para rezarem (ao menos um Pater e uma Ave-Maria) pelo Prof. Carlos Ramalhete, filósofo, na melhor definição, valente apóstolo da Tradição nas terras de Santa Cruz, além de amigo pessoal deste blog.
O Prof. Carlos Ramalhete, residente no Sul de Minas, é responsável por um dos mais bem sucedidos apostolados em defesa da Igreja. Suas colunas semanais nos jornais e seus vídeos de catequese, divulgados tanto no YouTube quanto na Gloria.tv, atingem milhares de leitores.

Ele sofreu um acidente de moto - um grave acidente - na noite de segunda-feira, 21 de julho, passou por uma cirurgia e se encontra internado.

O estado dele é MUITO grave. Além de fraturas múltiplas, sofreu queimaduras de terceiro grau, está sujeito a infecções, com RISCO DE VIDA. Redobrem, por caridade, as orações por esse pobre pecador. Que o Altíssimo lhe tenha misericórdia.

Que o bom Deus aproveite seus sofrimentos, que a Santíssima Virgem os abrevie e ajude a suportá-los.

Pater noster...

Ave Maria...

O ecumenismo pelo reverso

Fonte: Blogonicvs


Imediatamente depois da sua viagem à Terra Santa, realizada de 24 a 26 de maio, o Papa Francisco fez um convite aos respectivos chefes de governo de Israel e da tal "autoridade" Palestina. O convite incluía uma recepção do Papa aos líderes no Vaticano e uma oração pela paz na Terra Santa. Constrangidos e pegos de surpresa pelo pontífice estranho aos protocolos mais elementares de uma visita de Estado, os dois aceitaram.

(...)

Mas a recepção no Vaticano foi diferente. Foi um evento inter-religioso, marcado por orações de judeus e muçulmanos a poucos metros da Basílica de São Pedro, construída sobre o túmulo do príncipe dos Apóstolos que foi martirizado em Roma por pregar que somente Jesus Cristo era o caminho, a verdade e a vida. É verdade, São Pedro não era muito dado ao diálogo... se vivo estivesse, seria enclausurado e investigado pelo Fr. Volpi.

(...)

Diferentemente do que aconteceu com as orações pela Síria, o Vaticano passou por maus bocados - mais um! - ao ver em seus jardins um imã (sacerdote do islão) pedindo ao seu deus "Alá" a vitória sobre os infiéis, leia-se os judeus, cristãos e todos aqueles que não são muçulmanos.

Cada líder religioso realizou alguma oração e leitura dos seus respectivos textos sagrados. O problema foi quando o imã, ao concluir a sua oração, recitou trechos da sura (versículo do Al Corão) número 2 que pedia que Alá garantisse a vitória (dos muçulmanos) sobre os infiéis.

A rádio Vaticano e os organismos de telecomunicações católicos minimizaram, afirmando que o imã não tinha recitado a Sura 2. Chegaram a editar o vídeo, mas que quando comparado com o vídeo integral da cerimônia, mostra claramente que houve a abdução de um trecho das palavras do religioso, que seriam a tal da Sura 2. A rádio Vaticano contou com a ignorância maciça dos presentes sobre a língua árabe. Entretanto ontem, como bem notou o sacerdote americano Pe. John Zuhlsdorf, fazendo eco ao publicado no Il Giornale, se confirmou que o imã realmente proferiu as palavras.

(...)

Como o papa falou, em entrevista, a Cúria foi contra, unanimemente contra. Nem para afirmar que o céu é azul a Cúria conta com 99% de adesão. Qualquer papa anterior respeitaria a opinião da Cúria, já que como dito a unidade de opiniões dentro dos corredores vaticanos é muito rara.


A humildade verdadeira escuta, respeita a opinião, mesmo daquela que vem de baixo, hierarquicamente falando. Mas Francisco decidiu escutar unicamente a sua própria opinião, como vem fazendo desde sempre com "muito" sucesso, enfatize-se. "às favas com a Cúria!", o que poderia dar errado, não é mesmo?

(...)

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A Igreja dos Mártires frente às "Missas Inculturadas"

Por Kairo Rosa Neves de Oliveira

A Igreja dos Mártires desde os primeiros séculos seguiu o exemplo de seu Divino Fundador dando testemunho da Verdade. Por esta magnífica vocação todos os apóstolos, com exceção de São João, derramaram seu sangue e com eles muitos outros, ajudados pelo Espírito Santo, mantiveram-se perseverantes até serem entregues à morte por não negarem a sua fé. Segundo uma tão famosa e antiga citação "o sangue dos mártires é a semente da Igreja". De tal situação não podemos colher outro ensinamento se não o de que a Igreja está disposta a derramar seu sangue em vez de trair o seu Senhor. Nesta mesma igreja a terrível heresia do relativismo em que "todas as religiões são boas e podem levar ao céu" são tem espaço.

Entre os mártires, um dos mais célebres é São Paulo. De perseguidor passou à pregador, responsável pela evangelização de muitos povos, sendo boa parte do novo testamento cartas suas às mais diversas comunidades. Entre seus escritos, destaca-se um trecho da carta aos coríntios  cujo conteúdo  transcrevemos:

"Para os judeus fiz-me judeu, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, fiz-me como se eu estivesse debaixo da lei, embora o não esteja, a fim de ganhar aqueles que estão debaixo da lei. Para os que não têm lei, fiz-me como se eu não tivesse lei, ainda que eu não esteja isento da lei de Deus - porquanto estou sob a lei de Cristo -, a fim de ganhar os que não têm lei. Fiz-me fraco com os fracos, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de salvar a todos." 1Cor 9,20-22
Em uma primeira visão, poderíamos ver nesse trecho uma negação da pregação silenciosa dos mártires. Como pode alguém se fazer "tudo para todos" e ainda permanecer contrário ao relativismo? O próprio apóstolo responde a natureza do seu fazer tudo para todos explicitando sua finalidade "ganhar os que estão debaixo da lei", "ganhar os que não têm lei", em resumo, "salvar a todos". Fica assim claro que São Paulo não nega a sua fé, mas leva-a a todos superando tudo aquilo que não é inerente à sã doutrina e que poderia servir de obstáculo à sua propagação. Neste mesmo espírito missionários devemos enxergar a inculturação litúrgica. É função dela criar uma ponte que leve a todos, independentemente de sua cultura, à fé em Cristo, servindo de caminho do paganismo à Verdade.

Exemplos da correta aplicação da inculturação se encontram nos mais diversos países. Na Índia, os santos tem feições indianas, seus andores são enfeitados com uma quantidade imensa de cores, luzes e flores, próprios daquilo que lá é considerado solene. Na Índia, Cristo se faz indiano, para ganhar os indianos. Na China o menino Jesus veste amarelo/dourado, a cor reservada aos imperadores da China, uma forma única do anúncio do reinado de Cristo naquele país, além dos traços orientais e vestes típicas. Na China, Cristo se faz chinês para ganhar os chineses.



Por vezes, essa inculturação demanda mudanças nas rubricas. Como no Japão em que se usa o amarelo em substituição ao branco para as ocasiões de júbilo e branco no lugar do preto para as exéquias, a fim de refletir melhor a cultura daquele povo. É necessário lembrar que, neste caso, não se trata de uma simples execução das rubricas de maneira adaptada aos costumes de um lugar, mas da alteração das mesmas. E como nos lembra a Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II:

22. § 1. Regular a sagrada Liturgia compete ùnicamente à autoridade da Igreja, a qual reside na Sé Apostólica e, segundo as normas do direito, no Bispo.
§ 2. Em virtude do poder concedido pelo direito, pertence também às competentes assembleias episcopais territoriais de vário género legitimamente constituídas regular, dentro dos limites estabelecidos, a Liturgia.
§ 3. Por isso, ninguém mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em matéria litúrgica.
Ou seja, à exceção daqueles casos em que as rubricas indicam explicitamente que algum detalhe é de competência da conferência episcopal ou do ordinário, o poder para modificar o que está explicitado nos livros litúrgicos compete exclusivamente à Santa Sé.

Em nosso país, vemos o surgimento de muitos gêneros de celebração: missa afro, missa crioula, missa sertaneja. Tais celebrações pretendem ser "inculturadas", mas traem os princípios da inculturação. Em primeiro lugar, as modificações realizadas em tais missas são ilícitas, dado que carecem de qualquer autorização da Santa Sé. Em segundo lugar, essas celebrações não estão de acordo com a finalidade da inculturação que é levar Cristo a novas culturas.

Quando da colonização portuguesa, haviam comunidades que desconheciam o Evangelho e estavam imersas em culturas muito distintas daquelas dos missionários, assim necessitava-se de uma linguagem adequada à sua realidade a fim de que a fé fosse plenamente assimilada. A realidade brasileira atual é completamente diversa. Trata-se de uma sociedade com seis séculos de cristianismo, cujos costumes foram erigidos sobre uma base católica herdada de Portugal. Assim sendo, a inculturação que se pretende no Brasil é completamente infundada.

Vejamos com que detalhes se realizam de fato nessas celebrações, tomando como modelo a "missa sertaneja". O espaço litúrgico é invadido por uma profusão de instrumentos do campo: selas, balaios, cana-de-açúcar. O padre veste-se com paramentos xadrez, botinas e um chapéu. Toca-se viola e sanfona na missa. As fórmulas da missa se modificam, "Deus todo poderoso" se torna "O grande tropeiro" ou coisa do gênero. Faz-se até café em pleno presbitério.

Nos perguntamos: é uma celebração adaptada à cultura sertaneja? Não! O que se apresenta é uma  caricatura daquela cultura dentro de uma caricatura de Missa, que em nada encarna o modo de viver deste povo. Café e Missa? Não, aos domingos vai-se à missa em jejum, por isso mesmo muito cedo que é quando este povo está acostumado a começar o dia. A sanfona? Guardada desde o fim do baile. Na missa o toque dos sinos convoca a assembleia e, dentro da igreja, além dos sinos o suave toque do órgão. O padre antes da Santa Missa já está, de batina, rezando. Pede-se com muita piedade a bênção ao padre, ao vigário como é costume dizer. Os chapéus dos homens? Retirados na porta da igreja, onde também as mulheres se cobrem com o véu, então eles para um lado e elas para outro. E quando a missa começa, mais ainda do que antes, absoluto silêncio.

Veja que a cultura sertaneja por ser eminentemente católica tem como um ato de respeito manter os objetos profanos fora da igreja. Enquanto que nas "missas inculturadas" esquece-se totalmente da noção de sacralidade e se profana tudo que faz parte da celebração com objetos "temáticos". Também é muito ligada ao cumprimento de formalidades e o respeito às regras, por isso mesmo ser "sistemático" é uma qualidade muito comum aos sertanejos; impossível imaginar uma comunidade com esta maneira de ver o mundo mudando a Santa Missa segundo o que lhes parece adequado. Fica claro assim que a "missa sertaneja" não é nem um pouco sertaneja, mas é uma liturgia de laboratório, que alguém criou para satisfazer, na linguagem própria da roça, o seu "empenho": uma vontade descabida de realizar algo desnecessário.

Extrapolando o exemplo de volta aos diversos tipos de "missa inculturada", vemos que são todas celebrações artificiais que não correspondem à cultura nenhuma e, mais importante, não levam os fieis à procura de Cristo. Existe alguém que vá numa missa afro e que se vista daquela maneira ao sair dali? O resultado prático disso tudo é a criação de uma igreja com liturgia teatralizada, que mais serve como distração do que como esforço evangelizador. Essa igreja chega ao absurdo de, nessas celebrações, promover o sincretismo e igualar a fé cristã a outras religiões, apenas para promover um espetáculo agradável aos olhos. Essa igreja não está disposta a construir um caminho do paganismo de volta para a Verdade, mas liga a fé cristã às diversas culturas para levá-los de volta ao seu paganismo. Essa não é a igreja que se faz "tudo para todos, a fim de salvar a todos", esta não é a
Igreja dos Mártires.