Por que ser contra a Revolução?

Se a Revolução é a desordem, a Contra-Revolução é a restauração da ordem. E por ordem entendemos, a paz de Cristo no Reino de Cristo. Ou seja, a Civilização Cristã, austera e hierárquica, fundamentalmente sacral, anti-igualitária e anti-liberal.
Dr. Plínio Corrêa de Oliveira

terça-feira, 15 de abril de 2014

A mídia e o golpe de 1964

Folha de Londrina, 14-04-2014

O 50º aniversário do golpe militar de 1964 provocou uma onda de opiniões a favor e contra, debates e discussões. A mídia encheu as telas da TV e páginas de jornais com quilométricas reportagens sobre o tema. Porém, todas as críticas foram dirigidas contra os militares, atribuindo às Forças Armadas a culpa por todas as mazelas e todos os crimes e torturas. Nenhum dos crimes horrorosos, praticados pela esquerda (comunistas) contra militares ou civis inocentes foram apresentados. Acaso os crimes dos terroristas não fazem parte da "verdade" que eles pregam com tanta veemência? Nossa presidente fez ardoroso discurso sobre "o tempo que não pode ser esquecido". Que tal a mídia apresentar os crimes cometidos por todos os terroristas hoje no poder? Dilma, Genoíno, Zé Dirceu, Palocci, Carlos Minc, Franklin Martins, Paulo Vanucchi, entre outros? Falta coragem?

A ação dos militares contra os terroristas só começou em julho de 1966, após o atentado contra a vida do general Arthur da Costa e Silva, no aeroporto de Recife, onde uma bomba matou, na hora, o vice-almirante Nelson Fernandes, o jornalista Regis de Carvalho, e mutilou o coronel Sylvio Ferreira da Silva e Sebastião de Aquino, o "Paraíba", jogador do Sport, além de mais 13 feridos. Na mídia, nenhuma palavra. Sobre o carro bomba no quartel do 2º Exército, em São Paulo, nada. Silêncio sobre o assassinato do major alemão Edward E. T. M. Von Westerhagen. Bico calado sobre o assassinato do capitão Charles R. Chandler metralhado na frente da esposa e filhos. Nada se fala sobre o assassinato do tenente Alberto Mendes Junior, da PM de São Paulo, por Lamarca. E assim prossegue a lista das vítimas do terror: bancários, operários, policiais civis, oficiais e soldados da PM, militares das três Armas... Enfim, ninguém fala deles. É como se tais crimes nunca tivessem acontecido. Vítimas, só os terroristas. Todos eles foram anistiados e indenizados, enquanto a maioria das vítimas do outro lado foi abandonada, menosprezada e até humilhada. Que anistia é essa? O que é, realmente, essa "comissão da verdade"?

O ex-padre comunista Alípio de Freitas, autor do atentado no aeroporto de Recife jamais foi punido. Anistiado, recebe uma pensão do governo brasileiro de R$ 6 mil e vive, tranquilamente, em Lisboa, dando aulas de Sociologia e Política.

Diógenes do PT - na verdade, Diógenes José de Carvalho, codinomes Leandro, Leonardo, Luiz e Pedro - membro da Vanguarda Popular Revolucionária, participou de grande número de crimes em São Paulo de março de 1968 a março de 1969: bombas contra bibliotecas, jornais, quartéis e lojas; assalto a bancos, hospitais e quartéis; assassinato de militares brasileiros e estrangeiros. Em todas estas ações houve vítimas, fatais ou mutiladas. O número e a violência dos atentados perpetrados por grupos terroristas determinaram o endurecimento do regime e a edição, em 13 de dezembro, do AI-5, decretando, só então, a ditadura.

Diógenes, e todos os demais remanescentes do terrorismo jamais foram punidos. O "Leandro" anistiado, recebeu do governo uma indenização de R$ 400 mil, mais uma pensão mensal vitalícia de R$ 1,6 mil, livre do imposto de renda. Hoje é importante membro do partido no Rio Grande do Sul, e se intitula "Diógenes do PT". De suas vítimas, no entanto, ninguém sequer sabe os nomes! A maioria nunca foi reconhecida como vítimas pelo "estado democrático" instalado.

Por que a mídia em geral se reporta apenas aos crimes cometidos pelos militares? Por que jamais tocam nas vítimas do terrorismo? São 129 vítimas mortas, brasileiras como todas as outras, e que merecem um pouco mais de respeito.

PAULO ANDRÉ CHENSO é médico, professor e historiador em Londrina

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A “Revolução Copernicana” de Kant

A expressão “revolução copernicana” é usada coloquialmente em vários idiomas para denotar uma radical mudança de foco ou ponto de vista. A expressão faz alusão ao monge e astronômo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543). Copérnico mostrou que as observações dos corpos celestes poderiam mais facilmente ser explicadas postulando-se o movimento da Terra em torno do Sol, e não o contrário como no modelo geocêntrico de Ptolomeu.
            Numa nota-de-rodapé no prefácio à segunda edição da sua obra Crítica da Razão Pura, Kant faz um paralelo entre sua própria hipótese e a de Copérnico. Kant estava bem ciente do caráter revolucionário de seus esforços, o que fica patente no parágrafo imediatamente a seguir à nota-de-rodapé: “This attempt to introduce a complete revolution in the procedure of metaphysics, after the example of the geometricians and natural philosophers, constitutes the aim of the Critique of Pure Speculative Reason”. Mas no que consiste essa revolução no pensamento empreendida por Kant?
            Embora sempre tenha havido céticos, as principais correntes de pensamento filosófico ao longo dos séculos, bem como o senso-comum até os dias de hoje, admitiam a realidade do conhecimento objetivo. Mesmo pensadores tão díspares como Platão, São Tomás e Descartes, por exemplo, concordam que é possível conhecer ao menos parcialmente as coisas examinando os objetos que as compõem essas. É claro que os sentidos são enganadores, mas observando-se com paciência algum objeto não haveria dúvida de que alguma coisa sobre ele seríamos capazes de conhecer. É como se o objeto que estudamos fosse o centro de sistema gravitacional e nós girássemos ao redor dele tentando descobrir o que ele é.
            Kant vem inverter completamente o foco. Para conhecer um objeto, nós não mais apreendemos sua essência através de paciente observação. Ao invés, conhecer, para Kant, significa “forçar” ou “interrogar” um objeto a nos dar as respostas que apriorísticamente queremos obter pois nossas mentes já estão estruturadas para fazer determinadas perguntas e não outras que sequer conseguimos imaginar quais sejam. Isso obviamente não significa que o objeto “minta” para nós ou que nós fraudemos as respostas. Mas isso significa que as perguntas que fazemos ao objeto dizem mais sobre nós mesmos do que sobre a realidade intríseca do objeto. A realidade objetiva será portanto uma representação relativa ao sujeito - o homem – que interroga a natureza. Como todos os homens têm uma estrutura mental semelhante, é esperado que dois homens façam as mesmas perguntas ao interrogar um mesmo objeto. Contudo, o que de fato um objeto é em si mesmo, sua quididade, permanecerá para sempre inacessível. É como se o homem fosse o centro de um sistema gravitacional onde sabemos que planetas giram ao nosso redor mas deles só ouvimos o eco de nossas próprias vozes.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A educação brasileira morreu

por Reinaldo Azevedo

Original aqui.

A escola brasileira acabou, morreu, foi para o ralo. Virou lixo. Foi vítima de “progressiste” aguda. A “progressiste” é uma infecção provocada por um vírus cuja letalidade se deve à mente torta de Paulo Freire, que muita gente considera um santo. Não é que ele tenha criado o bichinho original. Mas foi quem o espalhou. A “progressiste” — que é o progressismo na sua fase terminal — inverte a lógica da educação: em vez de o professor ter algo a ensinar ao aluno, é o aluno que deve levar a sua experiência ao professor. Ou, então, ter-se-ia uma “relação autoritária” e “não dialógica”, compreendem? No domingo, eu assistia ao Fantástico e fui até o ponto em que uma reportagem cantava as glórias de professores “criativos”, sabem?, que resolvem entrar no universo do “educando”. Era a apologia da morte do conteúdo e do currículo. Cada um brinca do que quiser em sala de aula. Confesso que não aguentei a conversa torta até o fim. Tinha mais o que fazer. Não sei se vi, mas é possível, uma senhora, professora talvez, gingando em ritmo de funk ao algo assim. Ok. Não é aprendendo oboé que os pobres vão parar no “Esquenta” da Regina Casé, tá certo?
Vejo agora que um professor de filosofia do Centro de Ensino Médio 3 de Taguatinga, no Distrito Federal, aplicou uma prova de filosofia — teste!!! — a seus alunos e resolveu, como direi?, “incorporar” Valesca Poposuda, que virou uma questão. Pois é… Até Dilma Rousseff estava dando “beijinho no ombro” no Twiiter outro dia. A Dilma Poposuda é a Dilma Bolada em ritmo de funk. A questão é esta:
filosofia Valesca
Dá preguiça debater o mérito da escolha, entrar nas “paulo-freirices” sobre o universo do educando. O que acho mais espantoso, se querem saber, é a formulação. Não sei se a prova trazia a letra, a saber:
Desejo a todas inimigas vida longa
Pra que elas vejam cada dia mais nossa vitória
Bateu de frente é só tiro, porrada e bomba
Aqui dois papos não se cria e nem faz história
Como se vê, a resposta não demanda nem mesmo interpretação de texto. Se a letra, no entanto, não estava disponível, muito pior porque, para “acertar”, seria preciso tê-la na memória. O que o professor, Antônio Kubitschek é nome dele (não sei se parente do ex-presidente), queria testar? Não sei.
No dia 27 de setembro de 2011, escrevi aqui um post texto intitulado “O Brasil precisa de menos sociólogos e filósofos e de mais engenheiros que se expressem com clareza”. Notem que escrevi “precisa DE menos” e não “precisa MENOS”. São coisas distintas. Como há por aí filósofos e sociólogos que precisam DE MAIS LEITURA, muita gente não entendeu o que leu. Fazer o quê? Eu nunca neguei que escrevo para pessoas alfabetizadas. O texto me rende ataques bucéfalos até hoje.
Eu criticava, então, uma proposta estúpida que alguém fez à Secretaria de Educação de São Paulo, sugerindo que o ensino médio desse menos aulas de matemática e língua portuguesa em benefício da filosofia e da sociologia. Felizmente, o governador Geraldo Alckmin repudiou a ideia e pôs um fim à conversa mole.
Qual é o busílis? Seja na escola pública, seja na escola privada, os currículos de filosofia e de sociologia ainda não estão definidos. Cada um “ensina” o que quiser. Não raro, as aulas se transformam em meros pretextos para o proselitismo ideológico — na esmagadora maioria das vezes, de esquerda. “SE FOSSE DE DIREITA, VOCÊ IRIA GOSTAR, REINALDO AZEVEDO?” Não também! Professor não é pregador; não é líder partidário; não é pastor; não é sacerdote.
Hoje, são poucos os alunos que não levam na ponta da língua o discurso — e não mais do que o discurso — da igualdade e da justiça, mas não sabem fazer conta; não dominam o instrumental básico da língua para se expressar com clareza fora de suas “tribos”. Não por acaso, o país fica sempre nos últimos lugares nas provas do PISA, com um desempenho incompatível com o tamanho de sua economia.
A escola brasileira é o reino do vale-tudo.
E estamos piorando. Vou reproduzir um trecho de uma entrevista que o poeta Bruno Tolentino, meu querido amigo, concedeu à VEJA na edição nº 1436, de 20 de março de 1996 — HÁ LONGOS 18 ANOS, PORTANTO. Bruno morreu no dia 27 de junho de 2007 sem ver o fundo do poço. Leiam. Volto para encerrar
VEJA — Por que tantas brigas ao mesmo tempo?
TOLENTINO — Para ver se o pessoal cai em si e muda de mentalidade. O Brasil é um país vital que está caindo aos pedaços. Não quero sair outra vez da minha terra, mas não posso ficar aqui sem minha família, que está na França. Não posso educar filho em escola daqui.
VEJA — Por que não?
TOLENTINO — Foi minha mulher quem disse não. Educar um filho ao lado de Olavo Bilac, última flor do Lácio inculta e bela, que aconteceu e sobreviveu, ao lado de um violeiro qualquer que ela nem sabe quem é, este Velosô, causou-lhe espanto. A escola que ela procurou para fazer a matrícula tem uma Cartilha Comentada com nomes como Camões, Fernando Pessoa, Drummond, Manuel Bandeira e Caetano. O menino seria levado a acreditar que é tudo a mesma coisa. Ele nasceu em Oxford, viveu na França e poderá morar no Rio de Janeiro. Ele diz que seu cérebro tem três partes. Mas não aceitamos que uma dessas partes seja ocupada pelo show business.
VEJA — Qual o problema?
TOLENTINO — Minha mulher já havia se conformado com os seqüestros e balas perdidas do Rio, mas ficou indignada e espantada pelo fato de se seqüestrar o miolo de uma criança na sala de aula. Se fosse estudar no Liceu Condorcet, em Paris, jamais seria confundido sobre os valores do poeta Paul Valéry e do roqueiro Johnny Hallyday, por exemplo. Uma vez entortado o pepino, não se desentorta mais. Jamais educaria um filho meu numa escola ou universidade brasileira.
VEJA — Não é levar Caetano Veloso a sério demais? Ele não é só um tema de currículo, entre tantos outros?
TOLENTINO — Não. Ele está também virando tese de professores universitários. Tenho aqui um livro, Esse Cara, sobre Caetano, uma espécie de guia para mongolóides, e a mesma editora desse livro me pede para escrever um outro, sob o título Caetano Se Engana. É preciso botar os pingos nos is. Cada macaco no seu galho, e o galho de Caetano é o show biz. Por mais poético que seja, é entretenimento. E entretenimento não é cultura.
VEJA — O que você tem contra a música popular?
TOLENTINO — Se fizerem um show com todas as músicas de Noel Rosa, Tom Jobim ou Ary Barroso, eu vou e assisto dez vezes. Mas saio de lá sem achar que passei a tarde numa biblioteca. Não se trata de cultura e muito menos de alta cultura. Gosto da música popular brasileira e também da de outros países, mas a música popular não se confunde com a erudita. Então, como é que letra de música vai se confundir com poesia?
(…)
Retomo
Caetano em sala de aula? Pois é… Já lá se vão quase 20 anos. Poderia valer por um Kant, não é mesmo? Não duvidem: a vaca foi para o brejo. Todas as tentativas feitas, em qualquer esfera, de botar alguma ordem na educação brasileira, dando-lhe, quando menos, um currículo esbarram no gigantismo da estrutura, nas corporações sindicais e da ideologia rombuda.
A escola brasileira é o reino em que tudo é possível. Por lá, “todas as experiências são válidas”. Há 18 anos, como aponta Bruno, as coisas já estavam tortas. Depois pioraram. O que se manifestava como um “trabalho de resistência” virou ideologia oficial.
Ao comentar a sua prova, o professor ainda empresta um certo sotaque feminista à coisa, entendem? Leiam o que disse ao Estadão: “A prova foi uma provocação. Recebemos várias críticas, e muitas pessoas nem sabem o conteúdo da prova. Colocaram (a Valesca) como um ser que não é pensante, só porque é mulher e funkeira. Se fosse o Mano Brown ou o Gabriel, o Pensador, não teria dado esta polêmica”.
É, talvez não tivesse dado essa polêmica… Notem que, no seu discurso, Mano Brown e “Gabriel, o Pensador” já se tornaram, como posso dizer?, referências “conservadoras”.
A escola brasileira morreu. Teremos de recomeçar do zero.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Um furacão conciliar

Como todos os anos, a CNBB abriu um concurso para a canção da música tema da campanha da fraternidade 2015. O tema é Igreja e Sociedade e deve estar centrado no jubileu do Concílio Vaticano II. O compositor Pedro Pelúgia compôs a canção abaixa, com a mesma melodia da popularíssima (e melosíssima) “Um Coração Para Amar” do Padre Zezinho, scj:

UM FURACÃO CONCILIAR

Um furacão conciliar,
Que faz a Igreja sentir…
Uns vão chorar, outros rir,
No modernismo da peste…
Na oração vão ponhar
Inovações pra valer
Ansiosos por entreter
Os comunistas do leste!

Refrão:
Eis que eu venho imitar,
Eis que eu inverto o altar,
Tudo Lutero anteviu,
O problema não é meu…

Quero que este furacão
Não deixe nada pra trás,
Se é obra de Satanás,
Não creio nesse vivente…
Digo com muita emoção
Que acho linduhh de ver
Padre galã, Bispo ter
Ficha no Grande Oriente!

Fez que veio acrescentar,
Diz que veio pra ajudar:
“A melhor coisa do mundo
Foi Vaticano Segundo!…
Chamam de “continuidade”!
Acham que isto é verdade…
Montini a Fé alterou
Por sugestão de Moscou.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

São José de Anchieta, rogai por nós e pelo nosso Brasil

Original no blog do Frei Rojão.
"Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi."
Mateus 28,19-20
Nas adversidades em nossa vida não nos devem alimentar pensamentos de que somos indignos do amor de Deus ou de que Ele nos abandonou, uma vez que mesmo os santos e veneráveis também enfrentaram tribulações e tentações. E finalizamos recomendando a oração e a Eucaristia como poderosos auxílios na travessia das tormentas. Na data de hoje, a Igreja nos fala de um desses veneráveis que nos deixou verdadeiro exemplo de quanto o poder das reflexões espirituais, das orações e da Eucaristia transformam as adversidades em oportunidades para glorificar a Deus: o bem-aventurado Padre José de Anchieta.

Foi extremamente profícua no Brasil a obra missionária deste jesuíta nascido em uma família espanhola a 19 de março de 1534 em São Cristóvão de la Laguna, localizada na ilha Tenerife, arquipélago das Canárias. Foi estudar em Coimbra aos 14 anos, ingressando na Companhia de Jesus 3 anos depois. Nessa época começou a enfrentar uma doença ósteo-articular que o fez temer por seu futuro na Ordem. Apesar da doença, foi excelente aluno e concluiu o noviciado. O mal físico ainda o afligia seriamente quando embarcou para os domínos portugueses no Novo Mundo. A travessia do Atlântico naqueles tempos era penosa, feita sob condições precaríssimas, insalubres, nocivas mesmo a quem gozava de boa saúde. Mas, em vez de se pegar aos riscos, Anchieta via como promissora a oportunidade de respirar os bons ares dos trópicos, tidos como excelentes para a cura de diversas moléstias. Era o mais jovem dos jesuítas que desembarcaram no Brasil em 13 de julho de 1553 na cidade de São Salvador da Bahia de Todos os Santos. Confiou a viagem a Deus e pisou a terra brasileira bastante melhor da doença.
O destino de Anchieta era a Capitania de São Vicente, e a viagem de Salvador até lá foi marcada por um terrível acidente no sul da Bahia, uma das naus espatifou-se ao ser atirada contra os rochedos durante forte tempestade, mas ninguém morreu. A nau em que estava Anchieta ficou presa nos recifes durante toda a noite da tormenta. No dia seguinte, foram à terra procurar alguma comida, encontraram uma aldeia indígena onde uma criança estava doente à beira da morte. Anchieta a batizou e, ao seguir viagem, entendeu que o acidente foi o meio da Providência Divina salvar a pequena índia.
Ide pelo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. E o Senhor coperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam
Marcos 16,15.20
No Planalto de Piratininga, participou da fundação do colégio em torno do qual cresceria a vila que originou a cidade de São Paulo. Suas atividades ali foram intensas. Em 6 meses aprendeu o tupi e em 2 anos escreveu a gramática dessa língua. Com apenas 20 anos de idade, ensinava a língua tupi aos jesuítas, inclusive ao superior da missão, e português aos índios. Como faltavam livros para ensinar, dedicava-se durante a noite à escrita de cartilhas e manuais aos alunos, além de cartas sobre as atividades jesuíticas, tratados sobre fauna, flora e clima da terra e dicionário de tupi. Tornou-se famoso por utilizar com êxito recursos cênicos no ensino da doutrina aos silvícolas, incorporando elementos da cultura indígena, como a luta entre o Bem e o Mal, aos autos medievais que representavam momentos importantes do Cristianismo.
Por sua familiaridade com os índios, foi escolhido para negociar a paz com os índios tamoios que, aliados aos franceses, se insurgiram desde a Baía de Guanabara até a região de Ubatuba contra a colonização portuguesa. Junto com o também jesuíta Manuel da Nóbrega, Anchieta foi até a aldeia tamoio de Ubatuba, na qual em pouco tempo pôde construir um pequeno altar onde Nóbrega celebrava missa diariamente. A curiosidade inicial dos índios pelo ritual e pelos paramentos deu lugar ao interesse pelas pregações em tupi feitas por Anchieta.

Nessa ocasião, Anchieta viveu um momento de provação que para ele foi terrível. Sua devoção ao Santíssimo Sacramento era considerada excepcional, diariamente visitava o Santíssimo e comungava. Quando Nóbrega foi obrigado a deixar a aldeia e voltar a São Vicente, Anchieta ficou sem missa em Ubatuba. Podemos imaginar que deserto foi para um devoto tão fervoroso passar os 5 meses em que esteve isolado na aldeia com o que ele descreveu mais tarde como "fome da Sagrada Eucaristia". Mas essa adversidade não o abateu, dedicou-se às Comunhões Espirituais, passava horas em meditação junto à praia, escrevendo para se fortalecer espiritualmente. E assim registrou nas areias um poema de mais de 5.700 versos em latim que ele compusera à Virgem Maria Mãe de Deus. Acertada a paz, os índios da aldeia lamentaram a partida do "pajé branco que falava com Deus (...) e tratava de suas doenças". Sua familiaridade com as ervas nativas foi também útil ao enfrentar a violenta epidemia de varíola que assolou Piratininga ao regressar de Ubatuba.

Além de São Paulo, também a segunda maior cidade do Brasil teve em sua origem a participação de Anchieta. Ele foi chamado à Baía de Guanabara para ajudar a derrotar a revolta dos tamoios aliados aos franceses, fundaram-se um forte e um povoado que recebeu o nome de São Sebastião do Rio de Janeiro. Durante dois anos, Anchieta viveu entre o Rio de Janeiro e Salvador, incumbido de levar notícias da Guanabara ao governador-geral Mem de Sá. Nesse período, ordenou-se sacerdote em Salvador. Esses deslocamentos poderiam levar Anchieta a esmorecer em sua adoração à Sagrada Eucaristia, principalmente se o trajeto fosse pelo mar, pois eram proibidas as celebrações de missa por conta da instabilidade dos navios. Novamente a dificuldade não o afetou sua adesão à messe do Senhor, Anchieta passou a levar consigo um altar portátil, com o qual descia em cada porto para celebrar missa.
Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo
Atos dos Apóstolos 1,8
Anchieta também participou no Espírito Santo da fundação dos povoados que, consagrados a Nossa Senhora, dariam origem às cidades de Guarapari e Reritiba, hoje chamada de Anchieta, onde passou seus últimos dez anos. Embora tivesse a saúde abalada, ele enfretou quinzenalmente os mais de 100 km que separavam a aldeia de Reritiba da sede da capitania, Vitória, onde os jesuítas tinham um colégio.

Antes de morrer, recebeu os sacramentos, inclusive a Eucaristia, e assim teve uma morte tranquila aos 9 de junho de 1597. Depois de sua morte, conta-se que os índios disputaram com os portugueses a honra de carregar seu corpo de Reritiba até o Colégio de São Tiago em Vitória.

Conta-se que Anchieta também era devoto do Sagrado Coração de Jesus, embora não disseminasse essa devoção junto ao povo, pois àquela época ainda não era aprovada pela Igreja. Suas reflexões resultaram em diversos poemas pios, em honra não apenas a Nossa Senhora, mas também ao Santíssimo Sacramento, a Santa Inês.

Beato José de Anchieta, apóstolo do Brasil, que seja inspiração a todos nós seu exemplo de dedicação, devoção e abraço das dificuldades plenamente confiante no amor divino materializado na Eucaristia, colhendo belos frutos para a maior glória de Deus!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Por que a educação no Brasil é o que é?

A Revolução dos Maconheiros na UFSC. Atenção! Há uma droga bem mais pesada por lá

por Reinaldo Azevedo em 26/03/2014. Original aqui.

Bandidos disfarçados de estudantes viram carro da PF e da Guarda Universitária
Bandidos disfarçados de estudantes viram carros da PF e da Guarda Universitária

Dizer o quê? A Polícia Federal foi acionada para averiguar um possível caso de tráfico e consumo de drogas no campus da Universidade Federal de Santa Catarina. Cinco pessoas foram presas em flagrante. Estudantes e professores cercaram os policiais para impedir que a polícia fizesse o seu trabalho e cumprisse a lei, o que também é crime. Os federais pediram reforços, e chegou a tropa de choque da PM. Houve confronto. Um carro da PF e outro da Guarda Universitária foram virados pelos vândalos das baganas.
Achando que ainda era pouco, eles se dirigiram à Reitoria para exigir da direção da universidade que a polícia não entre mais no campus. É a velha história: a autonomia universitária, no Brasil, é confundida com território livre, sem lei. Esses ditos “estudantes” — eu os considero apenas bandidos disfarçados de universitários — transformam o que é público em domínio privado.
A lei antidrogas, a 11.343 está em vigência. Vale fora e dentro da universidade. O simples consumo de qualquer droga não condena ninguém à cadeia, mas cabe ao juiz decidir, já que mesmo o porte continua, sim, a ser crime — punido nem que seja com uma admoestação verbal. Houve feridos na ação: quatro. Eram todos policiais. Coisa parecida já aconteceu na USP, vocês devem se lembrar.
De toda sorte, consomem-se drogas mais pesadas na Universidade Federal de Santa Catarina. Que eu saiba, é a única do país que conta com um núcleo bolivariano: o “Jornadas Bolivarianas”, que tem o “Instituto de Estudos Latino-Americanos”. No mês que vem, eles vão até fazer um seminário.
Convenham: até que a maconha, nesse contexto, é inofensiva, né? Já o bolivarianismo, não. Este mata mesmo, como prova a Venezuela.