Por que ser contra a Revolução?

Se a Revolução é a desordem, a Contra-Revolução é a restauração da ordem. E por ordem entendemos, a paz de Cristo no Reino de Cristo. Ou seja, a Civilização Cristã, austera e hierárquica, fundamentalmente sacral, anti-igualitária e anti-liberal.
Dr. Plínio Corrêa de Oliveira

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O Sínodo da Família e a Revolução da Sorbonne de Maio de 68

Paulo Roberto Campos

No dia 15 do corrente mês de outubro, “Il Foglio” [fac-símile ao lado], diário italiano especializado em temas relacionados com o Vaticano, publicou uma importante matéria do Prof. Roberto de Mattei sobre o Sínodo da Família — tema de especial atenção dos leitores deste blog, dedicado a tratar particularmente das questões que afetam a instituição familiar em nossos dias.

Conceituado historiador, professor de História da Igreja e do Cristianismo na Universidade Europeia de Roma, Roberto de Mattei publicou em 2010 o famoso livro O Concílio Vaticano II – uma história nunca escrita.

Na matéria para “Il Foglio”, ele analisa as afirmações contidas no documento de autoria do Cardeal húngaro Péter Erdö, relator do Sínodo da Família, as quais foram divulgadas pela mídia do mundo inteiro no dia 13 p.p.

Por exemplo, a de que “as pessoas homossexuais têm dons e qualidades para oferecer à comunidade cristã.” E ainda outras, que igualmente colidem com o ensinamento do magistério tradicional da Igreja, relativas à comunhão aos recasados, à nulidade de casamentos, ao divórcio, aos métodos contraceptivos, às relações extraconjugais, à adoção de filhos por duplas de homossexuais, etc.

Tais afirmações, que causaram muita perplexidade, confusão e escândalo em incontáveis almas católicas, tampouco coadunam com as admiráveis e inequívocas afirmações de São Paulo Apóstolo, em carta aos Coríntios (6,9): “Nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os salteadores hão de herdar o reino de Deus”. 

O renomado escritor italiano faz uma correlação entre o mencionado relatório e a revolução anárquica da Sorbonne, de maio de 1968, cujo lema era “É proibido proibir”. Ou seja, tudo é permitido, inclusive o pecado; nada é condenável, inclusive os atos imorais. 

Bem sabemos que o confuso e perplexitante relatório é um rascunho e não um documento final e oficial do Sínodo da Família. Contudo, não deixa de ser grave sua divulgação e de ser inaceitável seu conteúdo, pois contradiz a doutrina tradicional, indefectível e inalterável, da Igreja. Foi, aliás, o que declarou o líder da conferência dos bispos poloneses, o Cardeal Stanislaw Gadecki, que caracterizou o documento de “inaceitável”, pois “desvia dos ensinamentos da Igreja”.

Rezemos para que o documento final daquela assembleia (que se encerrará no próximo dia 19) seja INTEIRAMENTE conforme à imaculada doutrina sempre ensinada pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Um documento que não contenha concessões ao espírito do mundo neopagão dominado pela corrupção moral. Diante desse mundo, a nossa posição deve ser a de seguir o conselho de São Paulo Apóstolo: “Permanecei, pois, constantes, irmãos, e conservai as tradições que aprendestes, ou por nossas palavras, ou por nossa carta” (Segunda Epístola aos Tessalonicenses, 2, 15).

sábado, 18 de outubro de 2014

Te Deum Laudamos: o Sínodo

Louvado seja Deus eternamente que numa hora de trevas inspirou seus filhos diletos a levantarem-se e a defenderem sua bendita Igreja.
 O que sucedeu esta semana em Roma não é menos grave do que aconteceu em Rimini em 369, durante uma crise análoga. Nos livros de história da Igreja, haverá doravante uma página de honra para os Príncipes da Igreja, Burke, Muller e Pell, entre outros. Kasper, Marx, Schonborn, Forte, Baldisseri e outros carregarão para sempre a marca da vergonha.
Não devemos também deixar de mencionar o papel dos bispos africanos. Se é verdade que os principais heróis desta semana vieram das altas latitudes da fria Europa e do gélido midwest Americano, é também verdade que, como um todo, os cardeais e bispos africanos mostraram-se os mais fiéis à Igreja. Com as devidas exceções, europeus e americanos, quer do norte quer do sul, não souberam mostrar o mesmo zelo pela Fé que seus colegas africanos. Com o Ocidente devastado por heresias diversas e infiltrado pelos infiéis, é muito possível que a África ainda venha desempenhar papel semelhante ao da Irlanda após as invasões bárbaras. Pode ser que depois do colapso ocidental, sejam missionários vindos da África aqueles que irão re-cristianizar a Europa. Quem sabe?
Por agora, ficamos com a meia vitória da ortodoxia no Sínoda da (anti-)Família

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A leitura no mundo moderno

A leitura é tradicionalmente considerada como uma atividade nobre, quando não sacral. O ato de ler implicava uma reverência para com a palavra escrita, acompanhada do devido tempo para que o sentido das palavras fosse captado pela mente. Contribuía para isso um ambiente reservado para leitura, isento de distrações, em casa e nos locais de trabalho e certos hábitos, como, na antiguidade, o de ler em voz alta para si mesmo. Não por acaso, Logos e Verbo são sinonímias clássicas de Deus.
Esses fatores faziam com que o leitor entrasse na leitura. Não era o leitor ávido que devorava o livro; era o livro que engolia o seu leitor. Hoje em dia, com o advento da “sociedade excitada”, são pouquíssimos aqueles se dispõem a tal estilo de leitura. Conforme narrado por muitos professores, poucos alunos, mesmo no nível universitário, têm paciência e disposição para ler, muito menos ainda para ler uma narrativa pausada e meditativa. O ritmo agitado e frenético com que os alunos se defrontam pela internet e pela televisão gera mentalidades cada vez mais necessitadas de estímulos e sensações. Um show, um vídeo ou uma propaganda que não provoque sensações físicas é varrida da memória poucos segundos após ser vista. Um texto que não provoque sensações físicas, que não faça correr a adrenalina, é deixado de lado logo após as primeiras páginas. Há um bombardeio crescente de imagens, cada vez mais excitantes, que tomam lugar da reflexão pausada. O que conta não é mais a capacidade de raciocinar, mas a de se emocionar. Isso tem inclusive reflexo nos métodos atuais de ensino. Cada vez mais os professores são estimulados a usar em suas aulas recursos audiovisuais atraentes e sofisticados para conseguir prender a atenção dos alunos, acostumados ao ritmo dos cliques da internet. Os cursinhos já estabeleceram a tendência: o professor, para ser bom, tem que ter o ritmo de um apresentador de auditório.
Essas talvez sejam algumas das causas da incapacidade de leitura dos brasileiros. Apesar de todos os esforços das últimas décadas, ainda temos baixíssimos índices de leitura. O brasileiro lê em média cerca de um livro por ano, incluindo aí os obrigatórios da escola.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Ainda há bispos na Igreja!

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Fratres in Unum.com – Uma outra censura, e os Padres Sinodais se rebelam.
 
A Secretaria Geral do Sínodo havia anunciado sua decisão de não publicar os relatórios dos Circuli Minores.
O Cardeal Erdo tomou a palavra, tomando implicitamente distância do relatório que trazia sua assinatura, e dizendo que, se aquela “disceptatio” havia sido publicada, deveria-se publicar também a dos Circuli Minores, as Comissões.
A sua intervenção foi seguida por uma chuva de numerosas outras no mesmo tom, reforçada por aplausos trovejantes.
O Secretário do Sínodo, Cardeal Baldisseri, olhava para o Papa, como que a procura de conselho e luzes, e o Papa permanecia calado e sério.
Mudos também o sub-secretário do Sínodo, Fabene, Forte, Schönborn e Maradiaga [que trupe!].
Kasper não estava lá.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Entrevista do Cardeal Burke sobre o Sínodo

Cardeal Raymond Burke
 Excelente entrevista concedida pelo Cardeal Burke sobre a situação inusitada criada pelo atual Sínodo da (anti-)Família. Seleciono abaixo um trecho sobre a importância da liturgia para a Fé.

Lex orandi, lex credendi. Assim se reza, assim se crê.

Vale a pena ler a entrevista toda. Original no blog Fratres in Unum.

"No pós-Concílio se verificou uma queda na vida da fé e da disciplina eclesiástica, evidenciada especialmente pela crise da liturgia. A liturgia tornou-se uma atividade antropocêntrica, acabou por refletir as idéias do homem ao invés do direito de Deus ser adorado como Ele mesmo pede. A partir daqui, segue-se também no campo moral a atenção quase exclusiva às necessidades e desejos dos homens, ao invés daquilo que o próprio Criador inscreveu nos corações de todas as criaturas. A lex orandi está sempre  vinculada à lex credendi. Se o homem não reza direito, então também não crê corretamente e portanto não se comporta bem. Quando vou celebrar a missa tradicional, por exemplo, eu vejo tantas belas jovens famílias com muitos filhos. Eu não acho que essas famílias não têm problemas, mas é claro que têm mais força pra enfrentá-los. Tudo isso deve significar alguma coisa. A liturgia é a expressão mais perfeita, mais completa da nossa vida em Cristo e quando tudo isso diminui ou é traído todos os aspectos da vida dos fiéis são feridos."

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Pense nisso!

Caminhamos para o segundo turno onde se decidirá se teremos pela frente uma ditadura comunista, estilo Venezuela ou Cuba, cujos indícios já estão lançados, ou um resto de democracia.
Saibamos escolher bem na hora de votar.
O razoável é perguntarmos onde serão observados ou menos atingidos os temas abaixo:

1 A defesa da vida humana inocente desde a fecundação até a morte natural, isto é, o rechaço à legalização do aborto, da eutanásia, e das drogas;
2 Defesa da família como Deus a fez: um homem e uma mulher;
3 A não intromissão do Estado no direito dos pais à educação dos filhos;
4 Proteção às propriedades rurais e urbanas, alvo crescente de invasões;
5 Amparo ao agronegócio, esteio de nossa economia;
6 Rejeição à sovietização do Brasil através de "conselhos populares" e "movimentos sociais".

Se o Brasil virar uma Venezuela ou uma Cuba deixará de ser o nosso querido Brasil.

Não descuidemos, senão pagaremos caro por isso.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A traição do Sínodo

O resultado do atual Sínodo dos Bispos, ainda não findo, já é muito pior do que até os mais pessimistas poderiam inicialmente esperar. Por os processos de nulidade em modo "fast-track", à discrição do ordinário local, seria até o menos ruim. Infelizmente, o pacote de renúncias a que os bispos parecem inclinados já até inclui muito mais que a comunhão para os recasados.

Os eufemismos são insuficientes para esconder as óbvias intenções dos Padres Sinodais (não todos, evidentemente) e de S.S. Francisco para com sodomitas, adúlteros e outros. Não, não se trata de misericórdia como estratégia para conversão. Não, não se trata de tolerar um mal infelizmente inevitável.


Trata-se agora de aceitar e valorizar o pecado. Em termos práticos, é a rendição.

"Homossexuais têm dons e qualidades a oferecerem à comunidade cristã: Somos nós capazes de dar as boas-vindas a estas pessoas, garantindo-lhes um espaço fraternal em nossas comunidades? Muitas vezes, eles desejam encontrar uma Igreja que lhes esteja de portas abertas. São as nossas comunidades capazes de providenciar isso, aceitando e avaliando sua orientação sexual, sem comprometer a Doutrina Católica sobre a família e o matrimônio?"


Esses e outros absurdos podem ser lidos num documento de mais alto nível elaborado este fim-de-semana pelas lideranças do Sínodo da (anti-)Família. Fiz a tradução a partir do inglês, mas verifiquei com o original em italiano. O texto pode ser visto aqui.

Este relatório parcial será usado como base para a redação do texto final do Sínodo. Embora possa ainda ser muito modificado (rezemos!), ele foi escrito com a participação de seis cardeais nomeados pelo Papa Francisco especificamente para essa tarefa. Assim, é muito provável que tal relatório expresse o pensamento do Santo Padre sobre as matérias em pauta.


Para quem ainda tem dúvidas: O vaticanista Sandro Magister fala em sua coluna de hoje sobre um livro recém-publicado relatando a atividade pastoral do Santo Padre quanto ainda era arcebispo de Buenos Aires. Conhecido pelo zelo pastoral que dedicava aos moradores pobres da periferia, o Cardeal Bergoglio não tinha escrúpulos em ordenar a seus padres que dessem a comunhão a qualquer pessoa que a pedisse. Aquilo que praticava nas favelas portenhas, talvez justificável a título excepcional, quer o Santo Padre por força que se torne a norma para a Igreja Universal. Leia aqui (em espanhol).

Enquanto uns esforçam-se para explicar o inexplicável, o processo Vaticano II é levado às suas consequências lógicas. Na verdade, como alguns perceberam desde os anos 60, era apenas uma questão de tempo até chegarmos a isso; e para mais além ainda iremos.


PS: O documento publicado hoje causou tal escândalo que até mesmo seu relator, Cardeal Erdo, procurou distanciar-se das passagens mais polêmicas. Leia aqui e aqui.