Por que ser contra a Revolução?

Se a Revolução é a desordem, a Contra-Revolução é a restauração da ordem. E por ordem entendemos, a paz de Cristo no Reino de Cristo. Ou seja, a Civilização Cristã, austera e hierárquica, fundamentalmente sacral, anti-igualitária e anti-liberal.
Dr. Plínio Corrêa de Oliveira

quinta-feira, 5 de março de 2015

Cardeal Raymond Burke faz grande elogio a Plínio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP

Por Manoel Gonzaga Castro | Fratres in Unum.com: Em 16 de fevereiro último, o Cardeal Raymond Leo Burke, patrono da Soberana Ordem de Malta e atualmente sob os holofotes por causa de sua resistência às ondas inovadores do Sínodo da Família, teceu grande elogio ao pensador católico brasileiro Plínio Corrêa de Oliveira (1908 – 1995).
O elogio foi feito em carta ao Sr. Mathias von Gersdorff, diretor da TFP da Alemanha, que presenteou o cardeal uma biografia recém escrita por ele sobre o fundador da TFP.
Segue a carta, publicada no site do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, entidade sucessora da TFP após a dissidência dos Arautos do Evangelho, liderados por Mons. João Scognamiglio Clá Dias:
16 de fevereiro de 2015
Caro Mathias,
Meus cordiais agradecimentos por sua amabilíssima carta de 13 de janeiro passado que o senhor deixou na minha residência, por ocasião de sua visita a Roma. Obrigado por incluir junto à carta o presente da biografia de Plinio Correa de Oliveira, Begegnung mit Plinio Correa de Oliveira – Katholischer Streiter in stürmischer Zeit, que vem de ser publicada. Dou-lhe minhas congratulações cordiais pela publicação da biografia do grande leigo católico brasileiro, o qual, como o senhor corretamente observa, é sob tantos aspectos um modelo para nós nestes tempos difíceis na vida da Igreja! Fico muito agradecido por um exemplar deste livro.
Agradeço-lhe especialmente por suas orações por mim. Por favor, continue assim, porque tenho muita necessidade delas.
Invocando a benção de Deus para o senhor e todos os seus labores, e confiando suas intenções à intercessão de Nossa Senhora de Altötting, de São Miguel Arcanjo, de São José e dos Santos Pedro e Paulo, permaneço seu devotadamente no Sagrado Coração de Jesus
e no Imaculado Coração de Maria
Cardeal Raymond Leo Burke

quarta-feira, 4 de março de 2015

50 anos da primeira missa em italiano

Embora o Concílio Vaticano II tenha explicitamente mantido o lugar de honra da língua latina na liturgia católica, S.S. Paulo VI, no dia 7 de Março de 1965, antes mesmo do fim do Concílio, rezou, numa paróquia de Roma, pela primeira vez na história uma missa pontifical inteiramente em italiano. Seguindo o exemplo do Santo Padre, as missas em vernáculo multiplicaram-se pelo mundo e o texto da Sacrosanctum Concilum tornou-se infelizmente letra morta.

Em comemoração aos 50 anos da efeméride, S.S. Francisco rezará missa solene, em italiano, claro, neste próximo sábado e presidirá a um congresso alusivo às mudanças litúrgicas que, no parecer dos organizadores do congresso, foram extremamente postivas.

Veja mais aqui.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Os "mestres da verdade"

A função do poeta na Grécia micênica era múltipla. Numa cultura fortemente marcada pela oralidade, era através da poesia que o registro da história, isto é, dos acontecimentos marcantes e dos feitos dignos de memória, era feito. Por isso, a poesia épica tinha um valor que nós hoje inteiramente desconhecemos. Era por meio desses poemas que um povo se conhecia, era por meio desses poemas que os acontecimentos históricos, evidentemente mitificados, eram memorizados registrados para as gerações futuras. Não havendo ainda outras alternativas de registro de fatos e nomes, os poetas da Grécia antiga tinham portanto uma função algo análoga à dos historiadores modernos. Em termos de honraria e distinção, ser cantado pelos poetas da Grécia antiga equivaleria hoje a figurar num livro de história.
 
Historiadores têm, ontem, hoje e sempre, um poder enorme, ainda que insuspeito pela maioria, pois são eles que elaboram o espelho em que a geração corrente vê o seu passado e assim é capaz de modificar o futuro numa ou noutra direção. Note-se também que o modo como um historiador conta a história (a colonização do Brasil, por exemplo) determina nossos julgamentos morais sobre o passado e nossas posturas éticas atuais.
 
Analogamente, os poetas gregos do período arcaico eram "mestres da verdade". Entenda-se que verdade, em grego, diz-se "a-letéia", isto é, des-velamento ou des-cobrimento. Portanto, cabia aos poetas definir que acontecimentos, que personagens seriam desvelados para a posteridade e quais outros seriam encobertos pelo véu sombrio do esquecimento eterno. De modo consciente ou não, cabia a eles determinar quais valores éticos deveriam ser prezados e quais atitudes morais eram vergonhosas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Petrobrás apoia projetos sociais na Bolívia

A Petrobrás vem sendo usada como instrumento da política socialista do governo PT. Não admira que esteja quebrada. A Bolívia é um país pobre que merece nossa ajuda. Mas é também um país governado pelo "cumpanero" Evo Morales, que não teve pudor em desapropriar investimentos da Petrobrás em seu país. Em retorno, o governo brasileiro agora financia projetos sociais na Bolívia...

Petrobrás apoia projetos sociais na Bolívia

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O Sentir e a Crítica à Ciência: o Campo Fenomenal

O último capítulo da Introdução da Fenomenologia da Percepção de Merleau-Ponty retoma a crítica ao empirismo que havia sido iniciada no segundo capítulo dessa obra. A par dessas críticas, Merleau-Ponty aproveita para expor sua teoria sobre o sentir. 

Sua abordagem do sentir tem um caráter fortemente existencialista, pois Heidegger foi uma importante influência no pensamento deste filósofo francês. Por sentir, Ponty identifica não apenas o ato físico, o evento neuro-fisiológico da sensação, mas também e principalmente o aspecto unificador do sentir, daí sua crítica ao empirismo. Sentir é o que nos põe no mundo. É através do sentir que nós nos percebemos no mundo. É o sentir que faz a ponte, a ligação entre nós e o mundo. É o sentir que nos faz ser-no-mundo.

Dessa tomada de posição, nascem as críticas de Ponty á Ciência (i.e.: às ciências naturais e experimentais). Ele evidentemente não nega a utilidade e a capacidade da Ciência em explicar o mundo. Suas críticas são endereçadas ao objetivismo da Ciência, que supostamente vê o mundo a partir de “lugar nenhum”, numa pretensão de objetividade total. Segundo Ponty, a visão objetiva da Ciência, por mais útil e válida que seja, é necessariamente incompleta. O homem é-no-mundo. Há um continuum entre o mundo e nós. Logo, não há como a Ciência, a partir de “lugar nenhum”, descrever o mundo tal como nós experenciamos, a partir de “algum lugar”; isto é, de nós próprios. A visão científica é sempre uma abstração da realidade na qual vivemos. Assim, para Ponty e os fenomenologistas, não há critério lógico para dizer que a visão objetiva da ciência é mais real que a visão pessoal.

Embora o lado cartesiano-mecanicista da ciência moderna seja efetivamente merecedor de ressalvas, a despeito de seus resultados, é preciso salientar que a crítica de Merleau-Ponty à Ciência é, ao menos parcialmente, derivada de seu agnosticismo. A objetividade da Ciência nasce da organização subjacente à natureza. Aliás, a própria Ciência, assim como a filosofia, nasceram da constatação de que há ordem na natureza. Se há ordem na natureza e essa ordem não é apenas um produto de nossas mentes, então tem que haver, fora da natureza, algo que a ordene.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Pange Lingua, pelo coral gregoriano de Lavras

O Pange Lingua, do qual o Tantum Ergo faz parte, é dos cinco hinos eucarísticos compostos por São Tomás de Aquino. As vozes são obviamente de amadores, mas considere-se que foi gravado ao vivo e à capella. A gravação foi feita durante a missa na antiga igreja de N.Sra. do Carmo, em Luminárias, pelo coral gregoriano de Lavras.

video

Para uma arte que ficou esquecida em nossa terra por 50 anos, já é um bom começo.

Pange lingua, gloriosi
Corporis mysterium,
Sanguinisque pretiosi,
Quem in mundi pretium
Fructus ventris generosi
Rex effudit gentium.
Nobis datus, nobis natus
Ex intacta virgine,
Et in mundo conversatus,
Sparso verbi semine,
Sui moras incolatus
Miro clausit ordine.
In supremae nocte coenae
Recumbens cum fratribus
Observata lege plene
Cibis in legalibus,
Cibum turbae duodenae
Se dat suis manibus.
Verbum caro, panem verum
Verbo carnem efficit:
Fitque sanguis christi merum,
Et si sensus deficit,
Ad firmandum cor sincerum
Sola fides sufficit.
Tantum ergo sacramentum
Veneremur cernui:
Et antiquum documentum
Novo cedat ritui:
Praestet fides supplementum
Sensuum defectui.
Genitori, genitoque
Laus et jubilatio,
Salus, honor, virtus quoque
Sit et benedictio:
Procedenti ab utroque
Compar sit laudatio.
Amen.

Os mártires da Líbia

Assisti ontem horrorizado ao vídeo, divulgado pelos próprios terroristas, mostrando a decapitação dos 21 cristãos coptas na Líbia. O local do massacre foi judiciosamente escolhido e a filmagem foi cuidadosamente editada para produzir o maior impacto. A qualidade técnica e os efeitos visuais são de um filme de Hollywood. Só que o sangue é verdadeiro.

Deve-se notar que o terrorismo islâmico até recentemente escolhia alvos "políticos", como foi o caso da tragédia das torres gêmeas e mesmo o do Charlie Hebdo, onde o componente anti-cristão não visto de imediato.

Mas isso mudou. A frouxidão do Ocidente dá coragem e ousadia aos muçulmanos fanáticos. Atrocidade cometida contra esses mártires líbios foi descaradamente motivada por ódio religioso e nada mais. Simples ódio ao Cristianismo.

Judeus e muçulmanos se odeiam mas um terrorista muçulmano pensaria duas vezes antes de filmar a degola de 20 judeus à beira-mar, porque até os terroristas fanáticos sabem bem que o exército israelense responderá à altura, sem meias medidas e sem rodeios. Em tal caso, não seria de descartar uma retaliação nuclear por parte de Israel.

Quanto a nós cristãos, pfff!

Depois de décadas de pacifismo e bom-mocismo tornamo-nos os maiores covardes do planeta. Os nossos maiores líderes políticos e religiosos, Obama e o Papa Francisco, estão, não obstante, muito preocupados um com o terrorismo da extrema-direita e o outro com a recepção de gays pela Igreja. Não me recordo de ver o Cristianismo tão humilhado quanto hoje.

Abaixo publico trecho de um artigo do jornalista italiano Antonio Socci sobre o ocorrido.

O heroísmo dos mártires cristãos e as misérias do Vaticano


Por Antonio Socci

Tradução: Fratres in Unum.com

(...) O bispo deles disse:“Aquele nome sussurrado no último instante foi como que o selo do seu martírio”. Os cristãos coptas são gente forte, temperada por quatorze séculos de perseguição islâmica. São herdeiros daquele Santo Atanásio de Alexandria que salvou a verdadeira fé católica da heresia ariana, na qual tinha caído a maior parte dos bispos. São cristãos rijos, não uns invertebrados, como nós, católicos tíbios do Ocidente. (...)

É uma dolorosa lição, enfim, sobretudo para a Igreja. Para uma Igreja que não testemunha mais o fogo ardente da fé.
Para a Igreja de Bergoglio que, enquanto existem homens e mulheres que dão a vida por Cristo, define como “uma solene besteira” o anúncio cristão e o proselitismo; para aquela Igreja de Bergoglio que, enquanto os cristãos são perseguidos e massacrados em todo o mundo muçulmano, faz um ato de adoração numa Mesquita, que vai atrás da ideologia obamiana dominante, evitando cuidadosamente pronunciar a palavra “Islã”, a não ser para louvá-lo (a propósito, o seu porta-voz em Buenos Aires atacou Bento XVI por causa de seu discurso em Ratisbona, sobre o Islã).
E sobretudo para aquele Papa Bergoglio que diz que a grande emergência atual da Igreja não é a fé, mas o meio-ambiente, e, depois, a acolhida aos novos tipos de casal e a comunhão para os divorciados recasados. Parece com o filme de Benigni, onde se dizia que o verdadeiro, o grande problema de Palermo é… “o trânsito!”.
É tanto assim que logo mais teremos a encíclica bergogliana sobre a ecologia e sobre as vantagens da coleta seletiva de lixo, ao invés de termos um grito de amor a Deus, neste mundo sem fé e sem esperança. Teremos um apelo contra a erosão, ao invés da denúncia do ódio anticristão em todo o planeta (pelo resto, já sabemos que em sua missa de entronização falou sobre o meio-ambiente, assim como no discurso à Expo, ao invés de falar de Cristo).
É o Papa Bergoglio que recebe e comove os centros sociais, tipo Leoncavallo, mas não os cristãos que heroica e pacificamente lutam para testemunhar a salvação, sofrendo o desprezo e as acusações do mundo.
É Bergoglio que escolhe os novos cardeais baseado em sua própria ideologia pessoal (deixando ver que, se quiser, pode inclusive decidir nomear o bispo de Ancona para o cardinalato), ao invés de conceder a púrpura, sinal do martírio, àqueles bispos que, justo nestes dias, concreta e heroicamente, vivem com as suas comunidades ameaçadas e, verdadeiramente, arriscam a sua vida com elas.

Este é o caso do bispo de Tripoli, D. Martinelli, o mesmo bispo que, em 2011, quase sozinho (apenas com o apoio de Bento XVI), gritava todos os dias contra a guerra [liderada pela OTAN, no contexto do que se chamou de “Primavera Árabe”, que culminou com a queda de Muammar al-Gaddafi], explicando que aquilo abriria a“Caixa de Pandora”, exatamente como aconteceu depois.

Hoje, na Itália e no exterior, aqueles que aclamaram a guerra se fazem de desentendidos. Enquanto nestes dias a Líbia corre o risco de se tornar uma base do Isis, o Bispo Martinelli decidiu permanecer ali, expondo-se à morte:

“Vi tantas cabeças cortadas – conta – e pensei que eu também poderia acabar assim. E se Deus quiser que meu fim seja ter a cabeça cortada, assim será […]. Poder dar testemunho é uma coisa preciosa. Eu agradeço ao Senhor que me permite fazê-lo, também com o martírio. Não sei até onde vai dar este caminho. Se me levar à morte, isso quer dizer que Deus quis assim… E eu não saio daqui. Eu não tenho medo”.

Ele não quer abandonar a sua pequena comunidade, constituída por cerca de trezentos trabalhadores filipinos, que estão compreensivelmente aterrorizados. O bispo é o único italiano que ficou em Trípoli, com alguns religiosos e religiosas não italianos.
Até ontem, não recebeu nenhuma ligação do Papa Bergoglio, habitualmente muito pródigo com os telefonemas (ligou até para Pannella [jornalista italiano de extrema-esquerda], além de ligar diversas vezes ao seu amigo Scalfari). Talvez, graças à pressão midiática, vai lhe telefonar uma hora destas…
Todavia, mais que de palavras, precisamos de fatos.

Eu queria propor uma coisa ao Papa. O Vaticano, também com a ajuda do governo italiano, poderia pedir um auxílio humanitário, uma operação relâmpago de socorro aos cristãos que ficaram lá, com o seu bispo. São apenas trezentos e arriscam a sua vida pela fé. O Vaticano poderia hospedá-los e, depois, eles decidiriam se é o caso de voltar às Filipinas.
A coisa é possível. Por que não fazê-la? Esta é a minha oração ao Papa Bergoglio: que salve do massacre toda uma comunidade cristã e o seu pastor.
Esta seria, realmente, uma coisa digna da Santa Sé. Não esse clima de caça às bruxas e de apuração, que desde alguns dias circula no establishment Vaticano, contra aqueles “grandes cardeais” (Ratzinger) que, fiéis à Igreja, ousaram se opor a Kasper no Sínodo de outubro.

Seria absurdo que o Vaticano se dedicasse às purgas, enquanto os cristãos são martirizados no mundo.